4º EGBE – Poder Ancestral4° EGBE: PODER ANCESTRAL - ENCONTRO NACIONAL DAS CULTURAS DOS POVOS DE MATRIZ AFRICANA
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- 2026-06-04
4° EGBE: PODER ANCESTRAL - ENCONTRO NACIONAL DAS CULTURAS DOS POVOS DE MATRIZ AFRICANA
Reunimo-nos hoje para celebrar a força ancestral que atravessa gerações, sustenta nossas comunidades e continua transformando o mundo. Reverenciamos Exu, princípio dinâmico da existência, guardião dos caminhos, da comunicação e dos encontros. É Exu quem movimenta a vida, conecta tempos, territórios e pessoas, tornando possível a circulação dos saberes, das memórias e das energias que alimentam nossa caminhada coletiva. Sob sua proteção, iniciamos este encontro reafirmando o compromisso com a unidade, a dignidade e a continuidade dos valores civilizatórios legados pelos nossos ancestrais.
O 4º EGBE nasce da compreensão de que as culturas dos povos de matriz africana são muito mais do que manifestações religiosas, artísticas ou expressões de entretenimento. Elas constituem sistemas complexos de produção de conhecimento, formas próprias de organização social, filosofias de vida, tecnologias de cuidado, modelos de convivência comunitária e visões de mundo construídas ao longo de séculos. São patrimônios vivos que transformam realidades, produzem pertencimento e afirmam a presença ativa dos povos afrodescendentes na construção da sociedade brasileira.
Inspirado na tradição do Egbe, compreendido como fluxo permanente de ancestralidade, comunidade e pertencimento, este encontro reafirma a centralidade dos laços que unem famílias, linhagens, terreiros, quilombos, comunidades e povos afro-diaspóricos. É no Egbe que encontramos nossa força coletiva; é nele que a ancestralidade deixa de ser apenas memória para tornar-se ação histórica. O Poder Ancestral que celebramos é a capacidade de transformar experiências acumuladas por gerações em projetos de futuro, convertendo herança cultural em instrumento de emancipação, justiça e liberdade.
Sob a perspectiva pan-africanista que orienta este encontro, reconhecemos que o enfrentamento ao racismo exige compreender os impactos da colonialidade sobre nossos corpos, territórios, saberes e culturas. Ao mesmo tempo, exige dar visibilidade às múltiplas formas de resistência e recriação cultural construídas pelos povos africanos e seus descendentes em toda a Diáspora. Os terreiros, guardiões de memórias, espiritualidades e conhecimentos ancestrais, representam uma das mais profundas expressões dessa capacidade de reconstruir identidades, preservar cosmovisões e sustentar a continuidade de um legado civilizatório que jamais se deixou apagar.
Neste 4º EGBE, afirmamos que a luta por justiça social passa necessariamente pela justiça cultural. Não há democracia plena sem o reconhecimento da contribuição dos povos de matriz africana para a formação do Brasil. Não há igualdade sem respeito às nossas tradições, aos nossos territórios, aos nossos símbolos e aos nossos modos próprios de existir. Por isso, este encontro se constitui como espaço de diálogo, formação, intercâmbio e articulação nacional, reunindo lideranças, pesquisadores, artistas, educadores, juventudes e comunidades comprometidas com a construção de uma sociedade antirracista e verdadeiramente plural.
Que este encontro seja também uma homenagem às mulheres de terreiro, guardiãs da memória, da espiritualidade e da organização comunitária, cuja atuação tem sido fundamental para a transmissão dos saberes ancestrais e para a preservação de nossas tradições. Sob as bênçãos de Exu e de toda a nossa ancestralidade, declaramos aberto o 4º EGBE – Poder Ancestral, certos de que a força que herdamos dos que vieram antes continuará iluminando os caminhos das gerações presentes e futuras.
Makota Célia Gonçalves
Coordenadora Geral do CENARAB
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